Fabiana, a stripper das três da manhã

Há hora certa, entre a música dos Outfield e de outra qualquer que o adiantado da hora não me deixa recordar, ela aparece no palco ao som do "American Woman". Cinco voltas no varão, palmada no rabo. Repete três vezes, começa a tirar o vestido. Ou será uma camisola das mais compridas? O rapaz que assiste ao meu lado é convidado a ajudar. Sem pudor, Fabiana agarra-lhe nas mãos e esfrega-as nos seios que vão perdendo a roupa, o público aplaude, a amiga que o acompanha entusiasma-se. Ali não há géneros. Mais voltas no varão, seguidas de manobras de gatas e uma ou outra pirueta de cabeça para baixo. Nova palmada, desta vez roubada ao nosso amigo M. que mal se consegue ver no meio da multidão. Cabe-lhe a árdua tarefa de puxar o fio dental esverdeado preso por duas grandes nádegas, possivelmente as maiores que já viu tão perto. Os homens que o cercam acabam por o ajudar. Aplaudimos e assobiamos ruidosamente, por ser um dos nossos a participar na linha da frente. Fabiana despida volta a rodopiar, com os seus longos cabelos negros a roçarem chão e corpo, até que a música acabe. Tapa-se com um comprido casaco preto e saí do palco como uma estrela. Ouve-se um lamento colectivo algures. Os olhos e os corpos voltam à sua posição inicial e dispersam-se pela pista do tamanho de uma sala de estar. A nossa música continua, é a nossa vez de dançar. No ar prolonga-se o cheiro adocicado que trouxe na pele, fundindo-se lentamente com o fumo dos cigarros que vão ardendo. Repete às cinco e à uma. Nós repetimos ocasionalmente ao fim-de-semana. Para apreciar com entusiasmo, recomenda-se algum teor alcoólico no sangue.

2 comentários:

  1. É... parece que a Fabiana anda nas bocas da blogosfera! :|

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  2. Anda? A Fabiana é um icone do Cais Sodré. E o espaço é tão mau, tão mau, que acaba por ser bom :)

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