Sempre que em conversa oiço a palavra equinócio completo-a mentalmente com "...surf shop". Não consigo evitar. E eu que nem sequer sei onde é que fica a Equinócio Surf Shop, ou se ainda existe. Tudo isto por causa de um anúncio qualquer que ouvi durante anos, na rádio. O poder da publicidade é fodido lixado.
Mas hoje é dia de Equinócio ("surf shop") de Primavera. Dizem os entendidos no assunto que ela chegou por volta das cinco da manhã. Eu não dei conta, estava a dormir. Deve ter-me entrado em casa com pézinhos de lã, de mansinho, como eu fazia quando voltava do Cheers que frequentei em tempos e não queria que os meus pais percebessem o estado as horas a que chegava a casa. Agora a única pessoa a quem as minhas saídas incomodam é à vizinha de baixo, a prostituta, que quando nos ouve a descer as escadas depois da meia-noite faz questão de abrir a porta, no seu roupão cor-de-rosa-coelhinho-da-pascoa, para ouvirmos melhor os seus suspiros de reprovação, o revirar de olhos e o abanar da cabeça. Para os que acham que estou a aproveitar a ocasião para a ofender, não estou. A sério! A senhora é mesmo prostituta e raramente está em casa. Mas quando está, mais cedo ou mais tarde acaba por se fazer notar. O centro da cidade tem vizinhança da boa. Mas voltemos à Primavera, que isto já está longo e eu já estou a fugir ao assunto. Gostei muito de a receber esta manhã, de janelas escancaradas para o sol entrar no quarto de vestir. A Primavera faz-me feliz. As flores já não tanto, dão-me alergias e fazem-me espirros, nariz pingão e olhos vermelhoazulados. Mas a Primavera, no geral, faz-me feliz. Deixa-me bem-disposta. Lembra-me o Verão que vai chegar não tarda, torna as idas à praia mais agradáveis, traz na mala os caracóis, as imperiais na esplanada sem mãos enregeladas e o Fizz de limão. Gosto de começos soalheiros e da ideia de que todos os anos há algo de bom que se repete. Como o "...surf shop" vezes sem conta na minha cabeça.
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