Já estive mais longe de me fixar por terras da Carrapateira. A sério. Montava uma banca de tererés e águas de côco entre a roulote dos cachorros e a tenda dos venezuelanos que vendem bugigangas na praia. Viveria numa das casinhas do monte maravilhoso do sítio que é segredo e não me apetece revelar aqui para toda a gente ficar a saber onde fica, com o Holandês (que ainda não sabe destes planos, mas que alinha de certeza), o Escocês que gere aquilo, o surfista e a namorada que teve bebé o mês passado. Não sei ainda se é menino ou menina, mas não fez barulho nenhum durante a nossa estadia. Os amigos e a família visitar-nos-iam no Verão ou nos fins-de-semana quentinhos do resto do ano, e ficariam maravilhados com a paz e a vista e os churrascos e a horta que entretanto plantaríamos nas traseiras. Arranjava um cão emprestado, que andaria comigo para todo o lado, mesmo quando não quisesse. Lia e escrevia e passava o resto do tempo dentro de água. Outra opção que não me desagradaria de todo seria viajar. Para sempre. E ter dinheiro suficiente para o fazer com qualidade. Não precisava de grandes mariquices ou de coisas cinco estrelas. Até prefiro o contrário, na verdade. Coisas simples. Viveria dos rendimentos, ganhos com um jackpot qualquer de um desses jogos da Santa Casa. Um dos grandes, como o de hoje, claro. Ficaria muito tempo nos sitos de que gostasse mais, nos outros apenas o essencial para conhecer. Voltaria a casa no final de cada viagem, ou para passar o Natal e os aniversários dos que me são queridos. Sempre com muitas prendas para todos. Também arranjaria um cão, para viajar connosco, e só escolheria serviços que aceitassem animais. Surfava sempre que pudesse.
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