Acho que gosto mais de escrever no Inverno. E no Outono. Ou assim que chegam os últimos dias de Verão, cheios de nostalgia e coiso. A verdade é que não tenho tido muito tempo e quando tenho, não me apetece vir aqui. Não que ande por aí feita doida em cima do acontecimento, aproveitando tudo o que há de novo como se este fosse o último Verão da minha vida, a comer tremoços em todas as esplanadas que existem há uns três anos mas que só agora saíram nas revistas ou a jantar na nova vaga de pseudo-tascas gourmet, seguido de bebidas feitas com gelados do Santini. É que de vez em quando esqueço-me do que me fez ter um blog, e depois outro e deixo de ver motivos para vir para aqui partilhar toda a treta que vem à cabeça. Não deixei de escrever. Escrever é a minha cena, como cantar não é a cena da Fanny. Escrever desperta-me no cérebro a mesma sensação que desperta uma corrida extenuante ou uma tarde de sol passada a andar a pé por Lisboa, tudo cheio de endorfinas a saltitarem de neurónio em neurónio. O ponto final do último parágrafo sabe-me sempre ao mesmo que me sabe o minuto em que finalmente me sento na esplanada daquele quiosque verde ali ao pé das portas do sol, metros antes de chegar a casa. Mesmo quando só escrevo um parágrafo. De vez em quando faço as duas coisas ao mesmo tempo, escrever um parágrafo enquanto me sento na esplanada depois de horas às voltas pela cidade.
Também não deixei de escrever regularmente aqui por ter estado ausente durante o mês preferido dos portugueses para banhos e festas na aldeia. Estive a trabalhar que nem uma criança Vietnamita fechada numa fábrica de ténis e pela primeira vez em toda a minha vida não fui de férias no mês de Agosto. Não achei maravilhoso, mas também não me aborreceu muito. Adorei a ausência de trânsito e a vasta oferta de lugares de estacionamento à porta do escritório. E há muito tempo que não ia almoçar a casa sem stress. Mas estive de férias antes de Agosto e fiz o que todas as pessoas fazem nesta altura: fui aos santos populares, comi uma sardinha, fui à praia, jantei e sai com os amigos, despachei uns quantos livros empilhados na mesa-de-cabeceira, conheci pessoas novas, reencontrei outras, aumentei o meu espólio de surfista da tanga.
Não fiz estas coisas tantas vezes quanto gostaria, afinal estamos em crise e respirar sai caro. Há que cortar nas idas ao Ikea e nos jantares no Sacramento e no Aya, e naquele italiano-indiano com esplanada no Largo do Carmo. Fartei-me de poupar na vida social porque vou voltar para a escola, e voltar para a escola nos dias de hoje está pela hora da morte. Mas tem de ser. A cabeça precisa de matéria e a coisa anda competitiva no mercado de trabalho. Menos para o Relvas. Adiante. Fui de férias, voltei de férias, fui de férias outra vez, regressei muito a custo. Agora estou em contagem decrescente para as derradeiras férias, as minhas verdadeiras férias de Verão, este ano a meio de Setembro. Vou outra vez para aquele sítio que não me apetece dizer onde fica, mas que este ano se está a tornar moda. Dá-me tremeliques no olho cada vez que vejo uma foto ou uma reportagem ou um post no twitter sobre o assunto. Deixem a Costa Vicentina em paz. No dia em que construírem um SoloBeach qualquer coisa ou fizerem uma festa de branco cheia de gente com manias na Praia de Vale dos Homens, nesse dia saberei que o mundo está perdido e que só me resta mesmo ir fazer férias descansadas ali para as praias do Camboja e do Myanmar com uns amigos que tenho, que gostam de coisas exóticas e de comer com as mãos. O tempo para Setembro prevê-se bom, como em anos anteriores, mas acho que não volto a ir em conversas alheias. Para o ano espero regressar ao registo habitual de férias marcadas para dias em que sol só se põe depois das nove. E é isto. Agora é só publicar e ler a seguir, certo?
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